Os Artistas


Claire de Santa ColomaFrancisca Aires Mateus | Horácio Frutuoso | Sara Chang Yan 


Claire de Santa Coloma

O trabalho de Claire de Santa Coloma (Buenos Aires, 1983) vive do tempo, do toque, do peso dos corpos e do seu equilíbrio. O verbo viversurge naturalmente associado ao seu trabalho já que parecer ser inevitável sentir a pulsão de vida das suas obras e se torna habitual querer conviver com elas.

A artista trabalha essencialmente com madeira e grafite - em escultura, mas também em desenho - explorando as potencialidades sensoriais da matéria. A manualidade inerente à sua prática e a sensualidade das formas que cria surgem paradoxalmente aliadas a um exercício conceptual rigoroso regrado por um princípio básico de economia de meios. A artista procura repetidamente a tensão entre a forma orgânica encontrada na natureza e a forma conceptual que se referencia no cânone da escultura: “Retirar o mínimo indispensável do tronco de forma a que se torne escultura.” As obras selecionadas para esta mostra evidenciam a sua procura pela subtileza da forma, pelo equilíbrio entre peso e leveza, pelo limiar entre a aura da obra de arte e o conforto do objeto quotidiano.


Francisca Aires Mateus

A prática artística de Francisca Aires Mateus (Lisboa, 1992) desenvolve-se em torno do som e da performance. Em Casa do Mar, obra inédita e concebida especialmente para a exposição quase nada, a artista apresenta uma peça sonora onde ouvimos uma voz não latina a ler o conto Casa do Mar, de Sophia de Melo Breyner. A descrição desta casa do mar de Sophia é-nos feita por esta voz estonia que lê o texto de forma fluída, mas claramente indecifrável.

A artista submete-nos, numa primeira instância, a um exercício de descodificação do texto, mas que depois, perante a liberdade da não compreensão, se transforma numa viagem para um território inesperado, longínquo e surpreendente.


Horácio Frutuoso

Horácio Frutuoso (Póvoa do Varzim, 1991) trabalha a pintura e a linguagem, relacionando códigos visuais, semânticos e fonéticos num registo afetivo e irónico. Na sua abordagem à poesia visual cruza reflexões sobre a contemporaneidade, sobre a arte e sobre a condição humana,encontrando referências tanto na literatura clássica como na cultura popular.

Para quase nada o artista definiu cuidadosamente a localização de cada trabalho, propondo diferentes momentos de diálogo com o espaço e com as restantes obras que nele convivem. Os trabalhos inéditos Broken e Counter clockwiseaprofundam as suas investigações acerca da sonoridade da palavra, ensaiando composições gráficas de traduções fonéticas que testam os limites da legibilidade. Aspirações, movimentos e aforismos atraem o olhar e demoram-se na cabeça, apontando falhas em diferentes sistemas de comunicação e reforçando o domínio do silêncio.


Sara Chang Yan

No som, vídeo, mas essencialmente no desenho, o trabalho de Sara Chang Yan(Lisboa, 1983) questiona limites, reinventa recursos e traz à superfície pormenores, subtilezas, movimentos novos ao olhar. Em quase nada, a artista trabalha as potencialidades da folha de papel, numa composição de cinco desenhos suspensos, em que os gestos impressos na superfície do papel expandem a sua bidimensionalidade, acrescentando-lhe assim movimento e espacialidade.

Nos vários elementos que conjuga, é perceptivel a sua preocupação pela intervenção mínima, ligeiramente pontuada pela cor, improvável, mas intencional. A forma como as obras estão suspensas e as interferências do exterior, como a movimentação do ar ou luz solar que se vai alterando ao longo do dia, oferecem uma relação íntima e completa com as obras, de descoberta, do o que vemos e o que quase não vemos, entre este visível e invisível, o material e o imaterial.